Irmãos adotados por casal italiano passaram um período delicado antes de se mudarem, diz assistente social
18/10/2026
(Foto: Reprodução) Irmãos adotados por casal italiano passaram um período delicado antes de se mudarem
Os dois irmãos brasileiros, de 8 e 9 anos, adotados pelo casal italiano Nicola D'Alba e Maria Cristofaro, passaram por um período delicado de adaptação antes de se mudarem para a Itália. As crianças viviam em uma instituição de acolhimento em São Luís de Montes Belos, no oeste de Goiás, e precisaram se preparar para uma série de mudanças, desde o idioma até a convivência com uma nova família.
Uma das profissionais que acompanhou o processo explicou que a adoção internacional exige cuidados que vão além da aproximação entre pais e filhos.
"Foi um período muito delicado para essas crianças, porque, quando a gente fala de um processo de adoção internacional, a gente precisa olhar muito além", afirmou.
Segundo ela, a possibilidade de deixar o Brasil envolvia mudanças de cultura, país, rotina e ambiente familiar. Por isso, cada etapa precisou ser acompanhada e avaliada pela equipe responsável.
Casal italiano Nicola D'Alba e Maria Cristofaro com os dois irmãos adotados em Goiás
Reprodução/ TJ-GO
Aproximação começou por videochamadas
Antes de conhecerem os irmãos pessoalmente, Nicola e Maria participaram de seis videochamadas autorizadas pela Justiça. Para tentar superar a barreira do idioma e criar uma aproximação com as crianças, o casal chegou a preparar um teatro de bonecos durante os encontros virtuais.
Depois dessa etapa, os italianos viajaram ao Brasil e foram a São Luís de Montes Belos, onde uma audiência marcou o início do estágio de convivência. As crianças deixaram a instituição de acolhimento e seguiram com o casal para Goiânia.
Durante os 30 dias na capital, a família recebeu 15 visitas da equipe técnica, que produziu 15 relatórios para auxiliar o juiz responsável pela decisão. O magistrado também realizou uma visita ao casal e às crianças.
A convivência foi marcada por desafios. Além da dificuldade de comunicação, os quatro precisaram lidar com expectativas diferentes e aprender a construir uma rotina juntos.
"Não foi nada simples. [...] Tínhamos o problema da língua, tínhamos uma infinidade de problemas. Mas o nosso desejo era aquele, o de criar uma linda família, e conseguimos", contou Nicola, em depoimento traduzido do italiano.
Maria também se emocionou ao recordar as dificuldades enfrentadas durante o processo. Segundo ela, houve um momento em que pensou em desistir, mas recebeu o apoio do marido e dos profissionais envolvidos.
"Fico emocionada porque houve um momento em que eu quis desistir. E ele me dizia: 'Vamos resistir, vamos resistir'", relatou.
Casal italiano Nicola D'Alba e Maria Cristofaro com os dois irmãos adotados em Goiás, antes da mudança da família para a Itália
Divulgação/TJ GO
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Decisão judicial e mudança para a Itália
A audiência que definiu a adoção aconteceu em 27 de agosto. Após analisar o acompanhamento técnico e os relatórios produzidos durante o período de convivência, o juiz Ageu de Alencar Miranda, da Vara da Infância e Juventude de São Luís de Montes Belos, autorizou a adoção.
Na sentença, o magistrado escreveu uma mensagem em italiano para dar as boas-vindas à nova família.
"Nicola e Maria, que esta decisão represente não apenas a conclusão de um processo, mas o início de uma nova história, construída com amor, cuidado e pertencimento. A adoção é um ato de coragem e amor que transforma vidas", escreveu.
Com a adoção concluída, os irmãos viajaram para Bari, no sul da Itália, onde passaram a morar com Nicola e Maria. Segundo informações divulgadas anteriormente pelo Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO), as crianças foram apresentadas aos avós, tios e outros parentes e começaram a frequentar a escola.
O acompanhamento da família continuará por dois anos.
Relembre o caso
Nicola e Maria decidiram adotar após experiências pessoais que despertaram o desejo de formar uma família. Ele trabalhou em um centro de acolhimento para imigrantes, enquanto ela participou de atividades voluntárias ligadas à Igreja Católica, inclusive na África.
O casal contou que conversou sobre a possibilidade de adoção desde o início do relacionamento. A decisão ganhou força após uma viagem a Lourdes, na França.
A adoção foi acompanhada pela Comissão Estadual Judiciária de Adoção Internacional de Goiás (Cejai-GO) e pela Vara da Infância e Juventude de São Luís de Montes Belos.
No Brasil, a adoção internacional é prevista para situações em que não há pretendentes habilitados no país para determinado perfil de criança, seguindo os critérios e procedimentos estabelecidos pela Justiça.
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