Caso Davi Sebba: policiais são condenados por matar advogado há 14 anos em supermercado

  • 03/10/2026
(Foto: Reprodução)
Advogado Davi Sebba, morto com tiro no peito em estacionamento de hipermercado em Goiânia Goiás Reprodução/Arquivo pessoal Após 14 anos, o Tribunal do Júri de Goiânia condenou dois policiais militares e absolveu um terceiro pela morte do advogado Davi Sebba Ramalho, em um estacionamento de supermercado, em Goiânia. O soldado da Polícia Militar Jonathas Atenevir Jordão, apontado como autor do crime, foi condenado a 12 anos por homicídio qualificado e absolvido da acusação de porte de arma. Já o tenente Edinailton Pereira de Souza recebeu pena de 10 anos por homicídio simples e porte de arma. O sargento Luiz Frederico de Oliveira foi absolvido de todas as acusações. ✅ Clique e siga o canal do g1 GO no WhatsApp A sentença foi lida na noite de sexta-feira (2), após dois dias de julgamento. A sessão começou às 8h e terminou às 21h. Inicialmente, o juiz Antônio Fernandes de Oliveira, que presidiu o caso, permitiu que os policiais aguardassem em liberdade um possível recurso. O Ministério Público de Goiás (MPGO) informou que vai recorrer da sentença que condenou os policiais militares, uma vez que a decisão não decretou a perda dos cargos nem a prisão imediata dos condenados. Os promotores de Justiça Luís Gustavo Soares Alves e Esli Pereira Gomes Júnior, do Grupo de Atuação Especial do Tribunal do Júri (GaeJúri), anunciaram que o MPGO vai recorrer ao Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO) para pedir a prisão dos condenados e o aumento das penas. Segundo a defesa de Jonathas, o policial não possui condenações anteriores, e o juiz considerou que ele não apresenta periculosidade nem perfil voltado à prática de atos violentos. A defesa não informou se pretende apresentar novo recurso à Justiça (veja a nota completa ao final da reportagem). O g1 entrou em contato com a defesa de Edinailton, mas não recebeu resposta até a última atualização desta reportagem. O crime O advogado Davi Sebba tinha 38 anos quando foi morto com um tiro no peito, em 5 de julho de 2012, no estacionamento de um supermercado localizado na Avenida T-9, em Goiânia. Na época, os policiais alegaram que realizavam uma operação contra o tráfico de drogas e afirmaram que a vítima teria reagido à abordagem armada. Contudo, as investigações e laudos periciais apontaram que o advogado estava desarmado, com as mãos no volante, quando foi atingido, e que uma arma foi inserida no automóvel pelos agentes para simular um confronto inexistente. LEIA TAMBÉM: Quando aconteceu: Homem é morto pela polícia no estacionamento de supermercado Absolvição em 2017: Juiz manda a júri PM acusado de matar advogado Davi Sebba e absolve outros dois militares Novo julgamento: Caso Davi Sebba: policiais acusados de matar advogado há 14 anos enfrentam júri popular em Goiânia Policiais acusados de matar advogado Davi Sebba há 14 anos enfrentam júri popular Reviravoltas Os três policiais foram denunciados pelo Ministério Público de Goiás pelos mesmos crimes. Em 2017, porém, o tenente Ednailton Pereira de Souza e o sargento Luiz Frederico de Oliveira foram absolvidos de todas as acusações que respondiam, enquanto o soldado da Polícia Militar Jonathas Atenevir Jordão foi mandado a júri popular. Na época, o magistrado argumentou que o fato de os policiais estarem juntos não significava conluio nem repartição de tarefas para a prática de crimes. Na sentença, o juiz afirmou que não havia “indício razoável”, com a substancialidade juridicamente exigida, de que Ednailton e Luiz Frederico tivessem “efetivamente auxiliado, incentivado ou instigado a que o autor do disparo, que atingiu, feriu e matou a vítima, o fizesse”. Em março de 2022, o Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO) julgou quatro recursos contra a decisão de 2017: dois da assistência de acusação, um do Ministério Público e um da defesa de Jonathas, que havia sido mandado a júri popular por homicídio simples. Em abril do mesmo ano, a 1ª Câmara Criminal do TJ-GO aceitou, por unanimidade, o recurso que apontava que o advogado foi morto sem possibilidade de defesa. Momento esperado Ao g1, Pedro Ivo, irmão do advogado, contou durante o julgamento, que o momento era muito esperado pela família. Ele defendeu que os policiais tivessem o direito de se defender, mas afirmou esperar que eles fossem condenados. "Depois de 14 anos estamos, hoje, iniciando esse julgamento que eu espero que ocorra da forma mais justa possível, e que, inclusive, os acusados tenham chance de se defender, coisa que o meu irmão não teve. Mas que, ao final, todos os três policiais sejam condenados por todos os crimes que eles cometeram", argumentou o irmão. A esposa de Jonathas Jordão, Isadora Jordão, também esteve presente no julgamento, que começou na quinta-feira (1º). Durante a sessão, ela relatou ao g1 que esperava que a Justiça de Deus fosse feita e que a inocência do marido fosse demonstrada. "O meu marido saiu de casa pra trabalhar, ele não saiu de casa pra executar ninguém, ele não saiu de casa pra cometer nenhum tipo de crime, ele saiu de casa a trabalho, a serviço da Polícia Militar do estado de Goiás. Então, nós esperamos em Deus que hoje a inocência dele e a justiça de Deus seja feita sobre a vida dele e sobre a nossa família", declarou. Nota da defesa de Jonathas Jonathas Atenevir Jordão teve sua conduta social e histórico sem condenação prévia reconhecidos pelo juiz presidente do Tribunal do Júri de Goiânia. Por esse motivo, o magistrado garantiu-lhe o direito de aguardar o julgamento de eventual recurso em liberdade. Réu primário: A Justiça confirmou que Jonathas possui nenhuma condenação anterior em seu histórico. Ausência de periculosidade: O juiz atestou formalmente que Jonathas não apresenta periculosidade ou perfil voltado à prática de atos violentos. O então policial atuou, em legítima defesa no exercício da função e no âmbito do dever profissional, durante abordagem motivada por investigações da Polícia Federal de combate ao tráfico de drogas. Conduta social abonada: O magistrado reconheceu que ele mantém um convívio familiar, comunitário e social exemplar. Postura colaborativa: O juiz reconheceu a plena cooperação de Jonathas com os atos processuais em todas as fases do processo. Goiânia, 2 de outubro de 2026. Pedro Ivo, irmão do advogado, contou que o julgamento dos acusados pela morte de Davi Sebba, em Goiás, é um momento mais esperado Letícia Fiuza/g1 📱 Veja outras notícias da região no g1 Goiás. VÍDEOS: últimas notícias de Goiás

FONTE: https://g1.globo.com/go/goias/noticia/2026/10/03/caso-davi-sebba-policiais-sao-condenados-por-matar-advogado-ha-14-anos-em-supermercado.ghtml


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